
Já me peguei refletindo sobre isso diversas vezes: o Geral parece ter perdido a motivação para se dedicar a algo sério, e admito que, em algumas ocasiões, eu também sinto o mesmo. Não se trata apenas de estar cansado ou temer se machucar, mas sim de perceber que o mundo ao meu redor parece ter esquecido o verdadeiro significado de se importar. Você já notou como as pessoas se relacionam atualmente? É como se fôssemos objetos descartáveis. Um copo de plástico utilizado em qualquer evento: útil por um breve momento, e quando se torna sem valor, é jogado fora sem um segundo de consideração. Caso algo dê errado ou surja um desentendimento, a reação é imediata: “isso não deu certo, cada um vai para seu canto”. Parece que paciência e a vontade de construir em conjunto se tornaram raridades.
Fico me perguntando: quando foi que isso passou a acontecer conosco? É um reflexo da nossa evolução como sociedade? Constato isso frequentemente: temos tudo nas mãos, mensagens rápidas, uma infinidade de opções, mas, emocionalmente, parece que estamos recuando. O que deveria nos unir, a emoção, agora parece ser um fardo. Eu já experimentei essa frieza — uma amizade que se desfez por um mal-entendido que ninguém se dispõe a resolver, um quase-romance que desaparece porque é mais fácil seguir em frente do que consertar as fissuras. Construir algo genuíno requer um pouco de nós, e sinto que é precisamente isso que falta: a disposição para nos entregarmos.
E não culpo apenas os outros. Eu também já me flagrei desistindo rapidamente, permitindo que relações deslizassem pelas minhas mãos porque parecia mais simples seguir adiante. Contudo, no fundo, anseio por algo mais autêntico. Você alguma vez sentiu isso? A vontade de ter um vínculo que suporte tempos difíceis, que não desista na primeira dificuldade? Contudo, enquanto eu — e talvez você — continuarmos tratando as relações como algo descartável, ficaremos presos nessa repetição de superficialidade. É mais fácil, sem dúvida, mas é extremamente vazio.
Então, o que posso fazer para alterar essa situação? Comecei a pensar em algumas ações práticas, uma vez que apenas refletir não é suficiente. Primeiro, decidi me empenhar em ouvir mais — ouvir de verdade, sem já estar formulando uma resposta. Segundo, estou tentando ser mais tolerante, dando tempo para compreender o outro antes de desistir. E em terceiro lugar, quero investir nas pessoas que estão ao meu redor, como enviar uma mensagem sem esperar retorno, apenas para demonstrar que me importo. Não é uma solução mágica, mas é um bom começo.
Shakespeare já tinha essa percepção quando criou Romeu e Julieta. Ele mencionou: “O amor é uma névoa formada pelo vapor dos suspiros.” Ao refletir sobre essa citação, percebo como ela se aplica neste contexto. O amor, a amizade, qualquer laço genuíno é dessa maneira: delicado, quase imaterial, mas demandando alguém que lhe dê significado, que não permita que se transforme apenas em vapor disperso no ar. Eu anseio acreditar que ainda é possível edificar algo duradouro. E quanto a você, ainda tem fé nisso?
Cledson Barbosa estudante de publicidade e propaganda
Dicas Práticas para Mudar a Mentalidade sobre Relações“
Pratique a escuta ativa: Tento ouvir de verdade, sem interromper ou já pensando no que vou dizer depois. Isso mostra que valorizo o outro.
Dê um passo além da superfície: Pergunto “como você tá?” e insisto um pouco pra ir além do superficial — às vezes, é só o que falta pra criar um laço.
Invista sem esperar retorno imediato: Mando uma mensagem pra alguém só pra dizer que me importo, sem cobrar resposta. Pequenos gestos contam.
Seja paciente com os conflitos: Respiro fundo e tento entender o outro antes de largar tudo. Nem sempre é fácil, mas pode salvar algo especial.
Escolha qualidade, não quantidade: Foco em cuidar das relações que já tenho, em vez de buscar mil contatos novos.
5 Livros para Ler sobre Conexões Humanas
O Poder Curativo das Relações Humanas – Vivek Murthy
As Cinco Linguagens do Amor – Gary Chapman
A Coragem de Ser Imperfeito – Brené Brown
Inteligência Social – Daniel Goleman
Amor Líquido – Zygmunt Bauman